Não ter forma é um problema?
Ou uma heresia necessária?
Olha para isto…
O que é?
Tem forma?
Agora, toca.
Tem bordas?
Tem peso?
Tem nome?
Agora, tira o nome.
O que sobra?
Parece haver formas para tudo…
O cubo entra no quadrado.
A esfera entra no círculo.
A pirâmide entra no triângulo.
Aprendemos cedo:
cada forma tem a sua ranhura,
cada coisa tem o seu lugar.
Mas quem fez as ranhuras?
Quem decidiu as formas?
Quem brinca com as formas (na infância e na vida adulta) tem, muitas vezes, a dificuldade de saber o que fazer com as coisas que não têm uma ranhura.
Serão coisas sem forma ou sem uma forma (re)conhecida?
O sem não é vazio, pode ser um tempo e um espaço sem alfândegas disciplinares.
Para acessá-lo, não basta pensar.
Precisamos de sentir de outras maneiras.
Ouvir o que ainda não sabemos nomear.
Tocar o que ainda não tem contorno.
E não, formações sem forma1 não escapam às estruturas pré-existentes.
Movem-se com elas e através delas, para ir além da máquina imperialista que catalogou o mundo e secou o imaginário.
Costuras da Linguagem, uma série do Plano de Fuga
As preposições estão entre as palavras mais pequenas que usamos e talvez passem despercebidas por serem aquelas costuras que não se veem, que estão do lado de dentro da linguagem.
Sem darmos conta, são as preposições que vão sustentando sentidos: ajudam-nos a estabelecer relações, situam-nos no tempo e no espaço, permitem-nos abrir e fechar possibilidades.
Nesta série, cada preposição é uma tecnologia, um instrumento lúdico para pensarmos no que escrevemos e dizemos.
“Formação sem forma” | Livro da autoria de Sandra Ruiz e de Hypatia Vourloumis




